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27 Abr 2026 | 5 minutos • Newsletter

Trabalho bom o suficiente

Sobre o significado que damos ao trabalho

Ingrid Machado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software. Autora deste querido blog.

Image de capa do post Trabalho bom o suficiente
Foto de Sunrise King, via Unsplash

Este texto foi originalmente publicado na Trilha de Valor #123: Trabalho bom o suficiente, que foi enviada no dia 4 de fevereiro de 2026. Para receber a newsletter na sua caixa de entrada, inscreva-se aqui.

Nas minhas andanças pelo YouTube, acabei encontrando alguns vídeos sobre o significado e a importância que damos para o trabalho na nossa vida. Em um desses vídeos, o livro The Good Enough Job foi recomendado. Ainda estou lendo ele, mas já fui muito impactada desde o primeiro capítulo.

Eu sei que já estou pensando sobre o assunto desde o ano passado e por isso posso ter sentido a mensagem de maneira mais profunda. Mas eu acho que a mensagem que ele passa é muito válida para qualquer um que já se perguntou se o jeito que lida com o trabalho é o ideal.

Na edição de hoje, eu vou compartilhar algumas reflexões e conceitos do livro.

Autocomplexidade

Segundo o Google, essa é a definição de autocomplexidade:

Autocomplexidade é um conceito psicológico que descreve a diversidade de aspectos, papéis e atividades que uma pessoa tem em diferentes contextos de sua vida (como trabalho, família, hobbies), sendo um fator protetor contra o estresse e a vulnerabilidade emocional, pois quanto mais variados e independentes forem esses papéis, maior a resiliência quando um deles enfrenta problemas. É a capacidade de se ver como multifacetado, não se definindo por apenas um ou poucos aspectos, o que permite maior bem-estar e adaptação a eventos negativos.

Eu acho que nunca tinha ouvido falar a respeito disso, pelo menos não com esse nome. Mas o livro apresenta a importância de sermos pessoas complexas para o nosso bem-estar. Se somos definidos apenas pelo nosso trabalho, qualquer problema nele vai nos desestabilizar. Agora, se somos definidos por múltiplas características e encontramos propósito em diversas fontes, nós conseguiremos lidar melhor com as mudanças em qualquer área da nossa vida, que são inevitáveis.

Se o trabalho não está indo bem e você tem mais interesses na sua vida, você pode se apoiar nessas outras áreas para encontrar alegria. Assim, o impacto no trabalho é diluído entre todas as suas áreas da vida.

Gostei bastante de conhecer esse conceito, porque, para mim, é muito fácil focar no trabalho com a justificativa de que ele é uma forma de habilitar outras áreas. Sem perceber, o trabalho acaba tomando uma grande parte da minha vida e os meus objetivos pessoais acabam perdendo espaço por causa dele.

Depois de ler esse livro, eu parei de adiar a minha volta para a academia e também voltei para a natação. Além disso, tenho me dedicado de forma muito mais constante à costura e ao bordado e prestado mais atenção no quanto dedico tempo ao meu relacionamento. Surpreendentemente, me dedicar mais às outras áreas da vida me deixou mais produtiva no trabalho, bem como menos cansada ao encarar os problemas do dia a dia.

Crise de identidade

O livro define a crise de identidade como um período de instabilidade e insegurança que resulta da perda de uma parte crítica de quem somos. É um conceito muito relacionado com o que apresentei anteriormente, já que, se temos a nossa identidade definida apenas pelo trabalho, a perda dele vai criar uma crise de identidade enorme.

Para evitar esse tipo de crise, a sugestão é que se criem momentos dedicados para atividades não relacionadas ao trabalho e que se invista nas suas identidades não relacionadas ao trabalho. Se dedique àquele hobby que você nunca consegue ter tempo, pratique esportes, faça passeios, aprenda algo novo ou pense em qualquer interesse que você não tem tido tempo para se dedicar. Assim, quando você estiver passando por um período sem trabalho, a sua preocupação pode ser procurar uma nova fonte de renda e não um novo trabalho que define quem você é, porque você é muito mais do que apenas ele.

Já falei em uma edição anterior sobre ter uma reserva de emergência e entendo que essa é uma dica que se conecta com esse conceito. Eu já passei por momentos de dúvida no momento de pedir demissão por achar que estava tendo uma crise de identidade. Mas o sofrimento maior estava relacionado com o fato de que eu não tinha uma reserva de emergência e dependia muito financeiramente do meu trabalho. Com isso, eu não poderia arriscar ficar um mês sem salário. É importante entender o quanto a nossa identidade está muito atrelada ao trabalho versus o quanto a nossa subsistência depende exclusivamente do salário que cai no mês.


Como alguém que vem se questionando bastante sobre o espaço que o trabalho ocupa na vida, ler sobre exemplos de pessoas que se deixaram definir pela profissão tem sido bem educacional. Eu sempre fui muito orgulhosa da minha profissão e de tudo que consegui conquistar através dela. Mas eu preciso pensar o quanto eu consigo aproveitar o que conquisto versus o quanto estou acumulando conquistas para a Ingrid de um futuro que nunca chega.

Eu espero que compartilhar aqui sobre autocomplexidade e crise de identidade também sirva como um alerta para quem lê a newsletter. Pensar no quanto existimos e somos alguém além do trabalho pode ser um exercício difícil e até mesmo frustrante, mas tem valido a pena entender quem sou além da vida corporativa.

Compartilhando os meus próximos passos nessa reflexão:


Caso tenhas alguma sugestão, estou curiosa para saber sobre outros exemplos de pessoas que conseguem não se definir pelo trabalho e têm uma vida plena. Se for o seu caso, te convido a comentar a edição ou a responder a este e-mail. Vou adorar saber sobre a tua jornada em direção a uma vida mais leve.

Até a próxima!

O link do post foi copiado com sucesso!

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