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22 Jan 2024 | 9 minutos • Desenvolvimento pessoal

A ciência do bem-estar

Dicas sobre como ser mais feliz

Ingrid Machado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software. Autora deste querido blog.

O curso “A ciência do bem-estar” foi um dos que eu mais gostei de fazer no Coursera em 2023. Ele desmistifica muitos conceitos que entendemos como verdadeiros para ser feliz e apresenta estratégias cientificamente comprovadas.

Eu entendo que grande parte do desenvolvimento pessoal está em entender o quanto evoluímos e em sermos felizes com a vida que temos. Por isso, me interessei nesse tipo de curso e compartilho as descobertas nessa área aqui no blog.

Neste post, pretendo compartilhar os principais conceitos a respeito da nossa percepção de felicidade e dicas que podem nos ajudar a superar vieses que nos distanciam da felicidade.

Características irritantes da mente

É assim que a professora chama os vieses que nos fazem ter um entendimento distorcido do que é felicidade. Estar ciente deles é o primeiro passo para entender o que precisamos mudar para atingir a felicidade. São 4 características que representam os nossos vieses:

As nossas intuições mais fortes geralmente estão erradas

Achamos que ter dinheiro, comprar um carro ou uma casa ou ter o corpo perfeito é o que vai nos fazer felizes. Porém, pesquisas indicam que, após conquistar qualquer uma dessas coisas, não existem mudanças significativas na nossa felicidade já a partir do médio prazo.

O que nós temos é um pico de felicidade ao atingir um objetivo, mas ele não se mantém. Ou seja, geralmente estamos errados a respeito do que achamos que vai nos fazer felizes.

Nós não pensamos em termos absolutos

Nós sempre pensamos de acordo com um ponto de referência. Nesse contexto, a professora define esse conceito da seguinte forma:

Ponto de referência: um padrão saliente (mas geralmente irrelevante) contra o qual toda a informação subsequente é comparada.

Pontos de referência comuns que costumam nos afetar são o quanto costumávamos ganhar e o que outras pessoas ganham. E isso acontece porque estamos acostumados a fazer comparações sociais, comparando o quanto ganhamos, nosso status, o que possuímos, as nossas habilidades e etc. em relação à essas características em outras pessoas.

Nossa mente é feita para se acostumar com as coisas

Um fenômenos que ocorre na nossa mente explica essa característica:

Adaptação hedônica: o processo de se acostumar a estímulos positivos ou negativos, de forma que os efeitos emocionais desses estímulos são atenuados ao longo do tempo.

Isso significa que a nossa percepção a respeito das coisas vai se adaptando conforme essas mesmas coisas são repetidas. Um exemplo bem direto é o nosso salário. Quando ganhamos um aumento, temos uma mudança positiva que, com o tempo, se torna algo comum. Nos acostumamos com esse novo salário e já começamos a pensar que o valor ideal seria um pouco maior do que o atual.

Nós não nos damos conta de que a nossa mente é feita para se acostumar com as coisas

Esse processo de adaptação da mente acontece de forma automática e não percebemos quando ele está acontecendo. Isso também influencia no fato de que algumas coisas não nos fazem tão felizes quanto previmos.

Ainda usando o salário como exemplo, podemos pensar que quando atingirmos um certo patamar seremos felizes. Mas o que acontece é que atingimos esse valor e, depois de uma sensação inicial, não nos sentimos tão felizes quanto imaginamos anteriormente. A professora apresenta uma pesquisa que mostra que depois que atingimos um salário suficiente para atender às nossas necessidades básicas, nós vamos sempre nos adaptar ao novo valor. E não sentiremos tanto impacto quanto o sentido até atingir esse nível mínimo para se ter condições de prover o básico para viver bem.

Como superar essas características

Seremos mais felizes se usarmos estratégias ativas para superar as características irritantes da nossa mente. No curso, são compartilhados dois grupos de estratégias que nos ajudam a atingir o bem-estar:

Superando a característica de se acostumar com as coisas

Investir em experiências ao invés de investir em coisas

Comprar uma casa ou um carro pode trazer alegria no momento em que são adquiridos, mas são coisas duradouras, o que torna mais fácil se acostumar e perder a alegria no longo prazo. Experiências costumam durar pouco e nos fazem felizes durante o planejamento, enquanto acontecem e depois quando lembramos delas.

Pesquisas mostram que a felicidade gerada pelas experiências é sentida até mesmo por quem ouve o relato das experiências. Compartilhar o que adquirimos nem sempre gera sentimentos positivos em quem ouve. Mas compartilhar experiências e relatar o que foi feito gera uma conexão maior.

Saborear os momentos

Momentos podem ser saboreados quando nos colocamos num ponto de vista de fora da experiência para revisá-la e apreciá-la. É uma forma de perceber e reconhecer que um bom momento está acontecendo durante o momento.

A felicidade é aumentada quando valorizamos o que acontece com a gente no momento em que acontece. Costumamos sempre pensar que antigamente era melhor, mas geralmente no momento em que o passado acontecia não pensamos que aquele era um momento bom. Saborear é identificar algo como bom quando ele está acontecendo, não somente no futuro quando for apenas uma lembrança.

Visualização negativa

Outra forma de ser mais feliz com o que já temos é pensar como seria a nossa vida se algo tivesse saído diferente. Um exemplo passado pela professora é pensar como a sua vida seria se você não tivesse encontrado a pessoa com a qual você se relaciona agora. As pesquisas mostram que pensar nesse contexto nos faz valorizar ainda mais as nossas relações e experiências.

Gratidão

A gratidão é a qualidade de ser grato e a tendência de mostrar apreço pelo que se tem. Um dos exercícios sugeridos é listar diariamente 5 coisas pelas quais você é grato.

Fiz esse exercício durante o curso, encaixando no meu hábito de preencher o meu planner todas as noites. E é impressionante como sempre existiam 5 coisas pelas quais eu era grata. Em alguns dias, conseguia identificar mais de 5 itens. Mas eu só identifiquei esses pontos porque todas as noites eu parei para pensar sobre o que aconteceu no meu dia. Acredito que vale muito a pena tentar esse exercício, principalmente se você costuma dar muito valor para o que acontece de errado durante o dia.

Superando os pontos de referência

Re-experimentar concretamente

Re-experimentar concretamente é encontrar uma forma de voltar e re-experimentar o seu ponto de referência anterior. Por exemplo, se você trabalha em um lugar que já está acostumado, tente se lembrar de quando queria esse emprego específico. Ou, se não é algo que você queria especificamente, lembre-se de quando não estava nele e estava em outro que não gostava tanto.

Observar concretamente

Procure um ponto de referência que não seja tão bom quanto o seu e observe como ele é de verdade. Imagine o quão ruim a sua vida seria estando nesse outro ponto de referência.

Ainda usando o emprego como exemplo, imagine como é a vida de quem está desempregado e compare com a vida que você tem agora trabalhando. Assim, você consegue valorizar muito mais o que tem ao se colocar no lugar de alguém que está numa situação não tão boa quanto a sua.

Evitar comparações

Comparações geralmente não trazem nada de bom. E existem algumas técnicas que podem nos ajudar a não cair nessa armadilha.

A primeira é a técnica do pare. Sempre que sentir que está se comparando com outras pessoas, fale “pare” em voz alta. A partir disso, faça um esforço para parar de pensar nessas coisas e quebre esse hábito. Com o tempo, você vai desfazer as conexões neurais que te levam a se comparar o tempo todo de forma automática.

Praticar a gratidão também nos ajuda a parar de fazer comparações com os outros. Sendo gratos, nós tiramos a nossa atenção do que é dos outros e passamos a focar no que é nosso. Se algo não está nós satisfazendo, não será porque o outro tem, mas sim porque estamos precisando de algo.

A professora também recomenda que a gente se livre das redes sociais, que é onde a maiorias das comparações acontecem. Caso não queira deixar de acessar as suas redes, pelo menos tente ser mais consciente ao fazer isso. Lembre-se que o que vemos no feed é apenas uma pequena fração da vida dos outros e comparar toda a nossa vida com informações incompletas da vida dos outros é um convite ao sofrimento.

Interrompa o seu consumo

A ideia aqui é interromper o consumo para voltar a ele depois. Se você se forçar a interromper as coisas boas e depois retornar para elas, você estará criando um ponto de referência positivo. O problema está em manter o que é bom de forma contínua, porque a adaptação hedônica não vai nos deixar aproveitar. Porque algo bom repetido várias vezes deixa de ser tão legal.

Isso não se aplica às coisas ruins. Quando precisamos passar por algo que não queremos, o melhor é passar por tudo de uma vez, sem dividir e fazer a experiência durar mais do que o necessário. Faça o que é ruim de uma vez só.

Resumindo: para coisas ruins, nós queremos nos adaptar rapidamente, mas para coisas boas nós temos que dar um jeito de fazer a sensação boa durar.

Aumente a variedade

Se você faz várias coisas diferentes, ao voltar para algo que gosta ele parece mais positivo. Isso acontece porque você quebra a adaptação e muda o ponto de referência.

Um exemplo bem simples passado no curso é o do sorvete. Se você gosta de sorvete de chocolate e sempre come o mesmo sabor, você certamente terá uma boa experiência. Mas se você gosta de sorvete de chocolate e vai variando os sabores a cada vez que come sorvete, quando for a vez de comer o de chocolate novamente, a experiência vai ser muito melhor.


Esse post resumiu apenas uma parte do curso, mas recomendo muito que você faça ele completo, junto dos exercícios. Ver as pesquisas que foram feitas para comprovar cada um desses pontos é bem interessante. E o curso ainda inclui dicas para querer melhor as coisas e adquirir o que nos faz felizes, além de apresentar mais estratégias para a felicidade.

A professora é muito bem articulada e passa o conteúdo de forma muito leve. Foi um curso muito prazeroso de fazer e que me lembro constantemente do que foi passado.

Espero que tenha sido um bom resumo.

Até a próxima!

O link do post foi copiado com sucesso!

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