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23 Jan 2023 | 11 minutos • Liderança e gestão

Sobre gestão - Atribuições do Gerente de Engenharia

Definição do meu papel atual

Ingrid Machado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software. Autora deste querido blog.

Image de capa do post Sobre gestão - Atribuições do Gerente de Engenharia
Foto de Rémy Penet, via Unsplash

Nos posts anteriores, falei sobre o que é ser um gestor de pessoas e qual é a diferença entre gestão e liderança. Neste texto, quero falar sobre as minhas atribuições atuais como Gerente de Engenharia e trazer exemplos um pouco mais tangíveis.

Como entender a definição do papel

No papel em que atuo atualmente, me considero sortuda por já estar na empresa enquanto ele estava sendo desenhado. Isso significa que, quando foi feita uma dinâmica para definir o papel, eu estava envolvida na discussão e tenho uma visão muito clara do que é esperado de mim.

Mas não basta apenas saber uma lista de atribuições, é preciso saber o porquê para conseguir tomar as decisões no dia a dia. Uma definição vai tentar contemplar as situações enfrentadas na maioria dos times, mas não vai te dar as respostas para uma situação específica que pode acontecer somente no seu contexto. E não vejo isso como algo ruim. Uma definição exaustiva, que diga basicamente como agir em todas as situações possíveis é impossível de construir. E, caso fosse possível, seria mais fácil automatizar a gestão.

Por isso, entendo a definição do papel como um guia, um direcionador de como devemos agir para atingir os objetivos do time. Ações específicas serão tomadas e conflitos serão resolvidos a partir do meu entendimento em relação à dinâmica do time e às pessoas que trabalham comigo.

Atribuições e comportamentos do Gerente de Engenharia

Na dinâmica que comentei, geramos 7 atribuições e comportamentos que são de responsabilidade do Gerente de Engenharia:

  1. Gestão dos engenheiros
  2. Liderança pelo exemplo
  3. Garantia da autonomia e confiança
  4. Conhecimento do negócio
  5. Organização do time
  6. Garantia da qualidade
  7. Gestão do orçamento

Apenas reforçando, aqui eu vou compartilhar as atribuições mais específicas do meu papel como Gerente de Engenharia na empresa em que trabalho no momento. Por isso, considere que as atribuições mais gerais do gestor são as expostas no post “Sobre gestão - Contexto”.

Gestão dos engenheiros

Neste primeiro ponto, estão incluídas atividades mais gerais de um papel de gestão de pessoas. Como, por exemplo:

Além de trabalhos mais burocráticos, essa responsabilidade inclui o apoio na gestão da carreira de cada liderado. Por mais que cada pessoa seja responsável pela sua carreira, ter o acompanhamento e o apoio da liderança no direcionamento faz muita diferença.

Por isso, comento sempre que para ser da gestão é preciso gostar e estar motivado com o seu papel. Dar o direcional de carreira e entender as ambições de cada pessoa do time demanda muita energia e muita conversa. E se você não consegue se manter focado e interessado no que cada liderado traz como desafio de carreira, provavelmente não conseguirá apoiar da forma mais positiva possível.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Selecionar as pessoas certas”, “Desenvolver as pessoas” e “Se manter disponível” do post sobre o contexto do papel de gestor.

Liderança pelo exemplo

Entendemos que liderar pelo exemplo é ser uma pessoa disponível, que está sempre aprendendo e aplicando esses novos conhecimentos com o time. É ser alguém disposto a entrar em debates para expor e defender as suas ideias. E, principalmente, alguém que lidera pessoas ao invés de chefiar.

Geralmente, costumo trabalhar muito com os times sobre gestão de tempo. E esse é um ótimo exemplo para a liderança pelo exemplo. Se eu instruo as pessoas a organizarem as suas atividades para o dia e depois trabalho de forma desleixada, me atrasando para os compromissos do time, qual mensagem eu estaria passando?

Ser o espelho dos comportamentos esperados é uma ótima forma de demonstrar para o time que você realmente valoriza o que prega. Ninguém gosta de seguir alguém que sempre está pelo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. E entendo que isso é particularmente importante quando estamos construindo estruturas horizontais, em que o time trabalha junto do gestor e não para o gestor.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Orientar e apoiar nas tomadas de decisões”, “Atuar na resolução de conflitos e problemas” e “Se manter disponível” do post sobre o contexto do papel de gestor.

Garantia da autonomia e confiança

Quando falamos dos resultados do gestor, estamos nos referindo aos resultados que o time que ele lidera pode gerar. E esse resultado não inclui (ou pelo menos não deveria incluir) o próprio gestor colocar a mão na massa para desempenhar as tarefas. Então, como é possível garantir um resultado sem fazer a tarefa diretamente? Dando autonomia e motivando o time.

Dar autonomia é confiar que cada integrante do time possui o conhecimento necessário para desempenhar o seu trabalho. E saber que, caso seja necessário, as pessoas pedirão por ajuda. Esse entendimento parte desde o momento em que conseguimos selecionar as pessoas certas para o trabalho certo. Porque de nada adianta eu formar um time perfeito para uma demanda que não é o foco.

Com autonomia, é muito provável que soluções inovadoras e melhorias no processo de trabalho emerjam do próprio time. Porque, por mais que o líder seja especialista no trabalho feito pela equipe, querer puxar todas as soluções só vai trazer uma visão engessada de como as coisas funcionam. Deixar o time debater e fazer o trabalho de um jeito diferente pode parecer estranho no início, principalmente quando dominamos a solução. Mas formas eficientes, eficazes e surpreendentes podem surgir com essa abordagem com mais liberdade.

Podemos falar de motivação do ponto de vista da equipe, mas também é muito importante entender o que motiva cada pessoa. Porque nem sempre todos estarão no mesmo ritmo ou buscando os mesmos desafios. Então, cabe ao Gerente de Engenharia entender o que faz com que cada um levante da cama de manhã e chegue ao trabalho disposto a dar o melhor de si.

Trabalhar desmotivado não gera resultado, apenas desgasta. E a intenção é manter o time trabalhando junto e entregando resultados por um tempo indeterminado. Isso só é possível se as pessoas se sentem energizadas trabalhando e não desgastadas.

Iniciativas para entender se as expectativas de cada liderado ainda estão sendo atendidas, se o ambiente de trabalho em equipe é seguro e manter o propósito do time claro entram neste ponto como norteadores do trabalho do gestor.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Selecionar as pessoas certas”, “Desenvolver as pessoas”, “Elaborar processos”, “Evoluir processos” e “Se manter disponível” do post sobre o contexto do papel de gestor.

Conhecimento do negócio

O Gerente de Engenharia também desempenha um papel importante no entendimento do negócio bem como no atingimento dos objetivos. Independentemente do framework usado para a definição dos objetivos, os gestores apoiam o time para a construção dos mesmos.

Para dar esse apoio, é necessário entender o negócio pelo qual a equipe é responsável. Sugestões que envolvem viabilidade técnica ficam mais a cargo dos Engenheiros, mas o Gerente de Engenharia pode e deve apoiar pensando no quanto o objetivo do time irá ajudar no objetivo da empresa como um todo.

Além de apoiar na construção dos objetivos e métricas, o Gerente de Engenharia também é responsável por manter o processo de acompanhamento da evolução das métricas definidas. Esta tarefa não deve ser solitária, pois o ideal é que todo o time tenha acesso e visibilidade do quanto a performance está atendendo ao que foi definido anteriormente.

O conhecimento de negócio também é importante para fazer o contato entre áreas. No dia a dia, o gestor costuma ficar como ponto focal do time. Assim, os Engenheiros são acionados apenas quando necessário. E ter o conhecimento do negócio permite discutir os pontos importantes mesmo quando o time não está envolvido.

Saber com qual área se comunicar para resolver um problema ou o impacto do que está sendo construído no resultado é uma ótima forma de manter o time trabalhando na direção correta.

O trabalho do Gerente de Engenharia é feito em parceria com o Product Manager (PM). E, apesar do PM ser a voz do produto, não é exclusividade desse papel entender se estamos indo na direção correta. Também temos que estar atentos ao equilíbrio entre demandas de negócio e de engenharia. E, por mais que seja importante atacar débitos técnicos, o Gerente de Engenharia precisa estar ciente de que não devemos resolver as dores de engenharia gerando atrasos e quebras de acordos com o negócio.

Por isso, é muito importante ter visibilidade e entender o caminho que está sendo definido pelo PM. Assim como dar visibilidade das necessidades de engenharia é importante para que o PM possa contribuir igualmente com esse equilíbrio.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Elaborar processos”, “Orientar e apoiar nas tomadas de decisões”, “Atuar na resolução de conflitos e problemas” e “Se manter disponível” do post sobre o contexto do papel de gestor.

Organização do time

O Gerente de Engenharia precisa obter resultados através das pessoas que formam o time. E isso só é possível com um processo organizado. Resolver impedimentos, apoiar em conflitos e esclarecer dúvidas são algumas das atribuições que entram nesse item.

Com o time ciente do que é esperado de cada um, objetivos bem definidos e integrantes com autonomia suficiente para trabalhar sem bloqueios o trabalho flui. Porém, no dia a dia, travas sempre são encontradas e precisamos agir para que o time possa seguir adiante. E é responsabilidade do Gerente de Engenharia fazer o que estiver ao seu alcance para que esses bloqueios sejam removidos.

O que foge do escopo do Gerente de Engenharia é resolvido ao se entrar em contato com outras áreas, assim como o descrito no tópico anterior. E uma coisa que precisa ficar muito clara nesse ponto é que nem sempre temos todas as respostas que os liderados esperam. O apoio que podemos dar é um esforço para resolver problemas de forma ativa, ouvindo atentamente o que é passado e buscando soluções, que podem vir diretamente do gestor ou de outras fontes.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Elaborar processos”, “Evoluir processos”, “Orientar e apoiar na tomada de decisões”, “Atuar na resolução de conflitos e problemas” e “Se manter disponível” do post sobre o contexto do papel de gestor.

Garantia da qualidade

A qualidade é garantida não colocando a mão na massa, mas sim atuando nos processos que são seguidos pelo time e no apoio às pessoas que realizam o trabalho diretamente. O Gerente de Engenharia deve atuar como um guardião de boas práticas e trabalhar para que o time se mantenha atualizado e ciente dos acordos feitos pelo time de engenharia da empresa para manter o padrão esperado de desenvolvimento.

Também é possível garantir a qualidade através do acompanhamento de métricas. Dados como o número de rollbacks por ciclo podem indicar uma alteração na qualidade do que é entregue, por exemplo. E cabe ao Gerente de Engenharia acompanhar a saúde do time, bem como manter todos os integrantes cientes de como está a performance.

Não cobrar prazos, mas sim manter um discurso de que prezamos pela qualidade, padrão de desenvolvimento e manutenibilidade do código é uma forma bem melhor de se ter um trabalho bem-feito a longo prazo. O desenvolvimento de soluções que trazem valor e resolvem problemas reais deve estar entre os objetivos de qualquer time e cabe ao Gerente de Engenharia ajudar a fomentar um ambiente em que isso acontece.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Desenvolver as pessoas”, “Elaborar processos”, “Evoluir processos”, “Orientar e apoiar nas tomadas de decisões” e “Atuar na resolução de conflitos e problemas” do post sobre o contexto do papel de gestor.

Gestão do orçamento

O Gerente de Engenharia é também responsável pela gestão dos custos de engenharia além dos custos com a contratação de pessoas.

Os custos de engenharia envolvem a compra e assinatura de ferramentas ou qualquer outro recurso necessário para que o time desempenhe o seu trabalho. Em caso de custos compartilhados, como a compra de servidores por exemplo, pode ser que o gestor fique responsável apenas pela solicitação e não diretamente pelo gerenciamento da compra e uso do orçamento.

Os custos com contratação podem incluir desde o momento da entrevista até a decisão de contratação de acordo com o nível do profissional. Entender se a contratação faz sentido e está dentro do orçamento disponível é necessário para que o time de gente possa apoiar nessa parte do trabalho.

E aqui também é necessário ficar atento aos custos com ações de reconhecimento. Por mais que muitas vezes se deseje promover todo o time, precisamos estar cientes de que existe uma limitação para a distribuição de méritos e promoções. Mesmo não envolvido de forma direta nesse orçamento, o Gerente de Engenharia precisa priorizar as escolhas com o entendimento de que existe um limite dentro do qual se pode trabalhar.

Essa atribuição está diretamente ligada com os pontos “Selecionar as pessoas certas”, “Desenvolver as pessoas” e “Evoluir processos” do post sobre o contexto do papel de gestor.


Neste post, falei de forma geral sobre como é a minha atuação como Gerente de Engenharia. Em outras empresas é bem provável que a atuação considere outras atividades e isso é bem comum. Por mais que algumas atribuições pareçam exclusivas do Gerente de Engenharia, muitas atividades podem ser compartilhadas com o time. Principalmente a tomada de decisões que impactam o trabalho de todos.

Espero que tenha ficado claro um exemplo de atuação e qual é a importância do papel de gestão dentro de um time de engenharia.

Até a próxima!

As fontes e referências usadas nessa série de posts estão na página “Sobre gestão - Referências”.

O link do post foi copiado com sucesso!

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