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26 Set 2022 | 5 minutos • Liderança e gestão

Quando pensei em desistir da gestão

Os desafios no meio do caminho

Ingrid Machado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software. Autora deste querido blog.

Image de capa do post Quando pensei em desistir da gestão
Foto de Link Hoang, via Unsplash

Dia desses estava conversando com uma amiga, também Gerente de Engenharia, que me perguntou se alguma vez já repensei a minha escolha de trabalhar com gestão de pessoas. Pedi para ela alguns dias para pensar e, quando elaborei a resposta, imaginei que seria interessante compartilhar aqui também.

Acredito que muito do que eu vou falar já foi dito no “Hack de Carreira”, mas eu também incluí uma situação mais recente, que não está nessa série de posts.

Resumindo a minha resposta, eu pensei em desistir duas vezes: quando recebi um feedback que me doeu muito e quando tive uma grande oportunidade nas mãos. Situações bem diferentes, mas que geraram quase o mesmo resultado.

A primeira vez em que pensei em desistir da gestão

Na primeira vez em que pensei em desistir da gestão, eu nem era gestora oficialmente. Vinha coordenando um time de duas pessoas, mas ainda era considerada uma analista (inclusive na carteira de trabalho). Então, foi um momento em que eu não tinha nem muita clareza do que estaria abrindo mão.

Para não ser uma história muito longa, vou tentar resumir um pouco. Depois de participar de diversas reuniões em que claramente não se chegaria a lugar nenhum, tentei pedir ajuda ao meu gestor. Que, na época, não tinha muito tempo para me dar atenção. Então, quando consegui uma oportunidade de conversar, expus toda a minha frustração com tudo o que vinha acontecendo e demonstrei estar abalada com a situação.

Aqui eu preciso passar uma informação: eu me emociono muito fácil e sou muito expressiva. Não é algo incontrolável, mas se eu estou chateada e estou te contando o que aconteceu, é normal que eu fique com os olhos marejados ou tenha uma postura de quem não está bem.

Voltando à reunião, depois que contei tudo para o meu gestor, ouvi que nunca poderia ser uma gestora. O motivo: eu me emociono facilmente e, por isso, ninguém me respeitaria. Bom, se eu já estava emotiva com a situação anterior, imagine como eu não fiquei com esse banho de água fria. Pedi ajuda e recebi um feedback bem pesado sobre o papel que eu nem deveria estar exercendo, já que nem recebia para isso.

O problema maior foi que eu deixei isso me afetar. Hoje em dia, entendo que feedbacks são percepções que as pessoas têm da gente e que devemos saber separar o que serve e o que não serve. Mas, naquela época, eu fui para casa com esse feedback como uma verdade.

Felizmente, depois de muita conversa em casa e muita terapia, eu consegui entender que se eu não era respeitada por uma característica minha, então eu deveria ir embora. E foi o que eu fiz.

A segunda vez em que pensei em desistir da gestão

Depois de algum tempo atuando com a gestão de forma mais oficial, surgiu a oportunidade de ser Squad Leader. Mas, como tudo sempre muda, chegou um momento em que precisei escolher entre ser Gerente de Engenharia e Agilista. De um lado, um papel muito focado na gestão de pessoas. Do outro, um papel muito focado na disseminação da agilidade na empresa.

Escolher entre um e outro parecia fácil, mas, quando comecei a minha lista de prós e contras, também iniciei uma lista do porquê eu não deveria estar atuando em nenhum dos dois papeis. Depois de ter tomado a minha decisão, acabei vendo que atendia a praticamente todos os requisitos do papel. Porém, mesmo assim, tive uma sensação muito forte de que essa movimentação me faria ser “descoberta”.

Atualmente, tenho um ritmo muito legal com o time, consigo atuar no papel e me ver como uma Gerente de Engenharia. Mas é muito engraçado rever as minhas decisões e lembrar o quanto eu sofri para escolher uma das opções. E eu cheguei a pensar que eu não poderia escolher nenhuma delas, por não me achar suficiente.

O que as duas situações me mostraram

A primeira conclusão que eu chego com isso é que eu não tenho que me apegar à opinião dos outros sobre mim. Como comentei, feedbacks são percepções e cabe à gente filtrar o que faz sentido.

Além disso, também entendi a importância de se estruturar um feedback e não se deixar levar. Já recebi feedbacks que apontaram muitas coisas para melhorar e que não me deixaram com a consciência tão pesada. Pelo contrário, me impulsionaram a mudar e aprender. Inclusive a aprender a identificar os meus sentimentos para ter um controle melhor das minhas emoções.

Eu também aprendi que eu preciso entender o peso das minhas decisões. No momento, estou muito realizada com o meu trabalho e sinto que fiz a escolha mais acertada possível. Mas onde eu estaria agora se tivesse acreditado na voz que dizia que eu era insuficiente? Será que eu estaria atuando em algo que me faz bem ao escolher uma opção com pressa e insegurança? Provavelmente não.

Uma das coisas que compartilhei com a minha amiga foi que se eu estou disposta a reiniciar e construir tudo novamente, sem desanimar, então eu estou no caminho certo. E é esse sentimento que eu tenho agora, porque eu não vejo como um problema trilhar o caminho da gestão desde o início se for necessário fazer isso novamente.

Se você também tem dúvidas

Para atuar no papel de gestor de pessoas, é preciso estar disposto a se dedicar aos outros. Primeiro porque é impossível construir uma relação de confiança sem estar disposto a escutar ativamente o que o seu liderado tem a dizer. E, em segundo lugar, estar motivado é um pré-requisito para motivar outras pessoas. Isso demanda uma energia que nem todos conseguem ter quando estão atuando no papel errado.

Se atuar com a gestão de pessoas é o que você quer de verdade, basta olhar as situações de um novo ponto de vista para seguir adiante. Feedbacks devem ser tratados como percepções e erros como oportunidades de aprendizado. Ninguém vai ter uma fórmula mágica e parte do seu papel será desbravar como fazer a gestão do seu time atual da melhor forma possível.


Espero que compartilhar as minhas situações de dúvida e aprendizados te ajude a evitar alguns erros que cometi. E que também mostre a realidade de qualquer trabalho: o caminho não é linear.

Até a próxima!

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