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Moral do time

Foto de Vincent Redor, via Unsplash

Este texto foi originalmente publicado na Trilha de Valor #2: Bem-estar no trabalho, que foi enviada no dia 19 de maio. Para receber a newsletter na sua caixa de entrada, inscreva-se aqui.


Desde que virei Scrum Master sempre me preocupei com o bem-estar das pessoas, principalmente quando inicio em times que já trabalhavam juntos e vão mudar para o ágil. Por menores que sejam as mudanças iniciais, sempre tem uma certa apreensão e acredito que é importante acompanhar o quanto isso afeta o time. E, mesmo em grupos que já trabalham com certa maturidade, é importante seguir atento às disfunções.

Há algum tempo atrás, encontrei um artigo que falava sobre uma proposta de mensuração da moral do time e decidi usá-lo como parte do meu trabalho como facilitadora. Vou tentar resumir aqui esse acompanhamento, mas também recomendo a leitura do material completo.

O que é a moral do time

Existem vários modelos para medir a felicidade do time, mas muitos questionários possuem perguntas muito abrangentes, que nem sempre geram resultados mensuráveis. Para ter métricas estatisticamente melhores e mais orientadas ao time, a proposta é medir a moral do time.

A moral da equipe é o entusiasmo e a persistência com que um membro de uma equipe se envolve nas atividades prescritas desse grupo.

Medir a moral é uma proposta orientada ao time e às tarefas, inclui a felicidade de forma sutil, é menos suscetível às variações de humor do momento e é um conceito menos tendencioso.

Por que medir a moral do time

Dentre as vantagens da moral alta podemos listar maior colaboração, orgulho em fazer parte do time e um esforço extra dos membros do time para atingir o objetivo da Sprint. Também é importante destacar que times com a moral baixa possuem baixo engajamento, as pessoas geralmente focam nas tarefas individuais e existe uma desistência mais rápida perante os problemas.

Posso falar com conhecimento de causa que acompanhar a moral e trabalhar para elevá-la gera resultados que vão além de qualquer nova ferramenta ou novo processo de trabalho que possamos implementar. Durante o processo, você deixa de ter um time que trabalha para você e começa a ter um time que trabalha com você. Acredite em mim quando digo que esses dois formatos têm uma enorme diferença.

Como medir

Para medir a moral do time, é feito um questionário com as seguintes perguntas:

  1. Estou entusiasmado com o trabalho que faço pelo time
  2. Eu acho que o meu trabalho no time tem significado e propósito
  3. Tenho orgulho do trabalho que desempenho para o time
  4. Para mim, o meu trabalho no time é desafiador
  5. Me sinto cheio de energia trabalhando com o meu time
  6. Me sinto como parte do time
  7. Me recupero rapidamente depois de cada imprevisto que acontece no time
  8. Sinto que quero seguir trabalhando no meu time por muito tempo

Cada uma das afirmações deve ser avaliada numa escala de 1 a 7, sendo que valores mais altos indicam que a afirmação está mais de acordo com a realidade. O autor do artigo possui uma ferramenta online para acompanhar a moral do time, mas geralmente uso as ferramentas corporativas disponíveis para colher esses dados. Atualmente, faço um formulário no Microsoft Form com uma escala likert.

Solicito as respostas a partir da metade da Sprint, enviando o formulário por email para o time. Não costumo ter isso como uma atividade obrigatória, então fica em aberto para quem deseja preencher. Mas, geralmente, recebo respostas de todos os integrantes.

Analisando os resultados

A moral pode ser avaliada de forma consolidada (moral do time) ou de forma individual. Apesar da recomendação de mensurar a moral pela média das respostas, gosto de acompanhar os valores de cada resposta.

Para cada integrante, gero um gráfico onde acompanho a evolução dos resultados por Sprint. Na análise, avalio os gráficos para identificar se algum distúrbio impactou os resultados e se existem desvios no histórico que possam indicar a necessidade de intervenção.

Com o resultado individual, a intervenção necessária geralmente é uma conversa rápida com o integrante do time a respeito do ponto com maior desvio, para entender o que gerou essa mudança. Se você já faz conversas de acompanhamento individual, acredito que esse é o melhor momento para entender como ajudar a elevar a moral individual. Senão, considere fornecer esses momentos de troca durante a Sprint.

Para acompanhar a moral do time, os resultados consolidados servem como insumo para discussões na retrospectiva, onde o time como um todo pode sugerir melhorias. Além disso, é possível apontar pontos negativos que nem sempre são verbalizados.

Pensando no uso dos resultados como uma métrica de gestão dos times, é possível abordar os seguintes pontos:

  • Investigar se o time rodando Scrum tem a moral mais alta;
  • Detectar as fontes da baixa e da alta moral do time;
  • Investigar as consequências da baixa e da alta moral do time, a nível de performance e percepção do time pelos outros times.

Pense no acompanhamento da moral como um indicador de que estamos indo na direção correta, com o time altamente engajado e satisfeito com o andamento do trabalho. Além de ser importante para os integrantes do time, você como Scrum Master (ou qualquer papel de gestão) pode se beneficiar, aumentando a sua própria moral ao conseguir fazer melhorias para ter resultados sempre positivos.


Caso tenha interesse, confira também o post Moral do time dentro da categoria Facilitação, onde explico como faço essa mensuração na prática.

Até a próxima!



ingridmachado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software.
Autora deste querido blog.

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