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O que faz um Scrum Master

Foto de Denise Jans, via Unsplash

No post Scrum Guide 2020 comentei que a descrição do Scrum Master (SM) está mais enxuta e bem mais próxima do que faço no dia a dia. Pensando no que é feito na prática e para atualizar o conteúdo do post Trabalhando com Scrum – Papéis, decidi escrever este texto destrinchando um pouco mais a descrição oficial.

O que é um Scrum Master?

De acordo com o Scrum Guide 2020, a definição de Scrum Master é a seguinte:

O Scrum Master é responsável por estabelecer o Scrum como definido no Scrum Guide. Isso é feito ajudando todos a entenderem a teoria e prática do Scrum, no contexto do Time Scrum e da organização como um todo.

O Scrum Master é responsável pela eficácia do Time Scrum. É um líder que serve ao Time Scrum e à organização.

Ou seja, o SM é o responsável por fazer o Scrum ser seguido corretamente dentro do time. Ele é o conhecedor do framework, a quem todos devem se direcionar em caso de dúvidas relacionadas à definição do Scrum. Também faz parte do trabalho ensinar a teoria do Scrum para todos do time e mostrar como as cerimônias funcionam na prática.

O trabalho do SM não se limita somente à parte educacional do framework. Também é necessário colocar a mão na massa e fazer o time gerar valor na prática.

O que faz um Scrum Master?

A definição oficial divide as tarefas do SM como um líder que serve ao Time Scrum, ao Product Owner (PO) e à organização.

Como o Scrum Master apoia o Time Scrum?

O Scrum Master serve ao Time Scrum de diversas formas, incluindo:

  • Instruindo os membros do time no autogerenciamento e na interdisciplinaridade;
  • Apoiando no foco para criar Incrementos de alto valor que estejam de acordo com o Definition of Done;
  • Removendo impedimentos que afetam o progresso do time;
  • Garantindo que todas as cerimônias são feitas de forma positiva, produtiva e dentro do timebox.

Instruindo os membros do time no autogerenciamento e na interdisciplinaridade

A partir do momento em que as cerimônias são bem conduzidas e que todos os artefatos estão altamente visíveis, bem definidos e atualizados, o time tem capacidade de se autogerenciar e de atuar em tarefas de diferentes tipos.

Por exemplo, após a Plannnig:

  • O Sprint Backlog deve estar com todos os itens bem definidos e compreendidos pelo time;
  • Todas as atividades para completar cada um dos itens estão especificadas;
  • O objetivo da Sprint deve estar bem definido.

Com esse plano definido, o time tem condições de conduzir o próprio trabalho durante a Sprint, sem a necessidade de interferir no dia a dia para que o trabalho evolua.

Por isso, é importante que o SM conheça bem todos os artefatos do Scrum e garanta que estão de acordo com o esperado.

Apoiando no foco para criar Incrementos de alto valor que estejam de acordo com o Definition of Done

Além de apoiar na criação do Definition of Done, o SM deve apoiar o time no momento de seguir o que foi definido.

Não basta definir que um incremento só pode ser considerado dentro dos padrões de qualidade quando está devidamente testado se incrementos sem teste são liberados em ambiente de produção.

Por mais que o time como um todo deva garantir a qualidade, o SM deve estar sempre monitorando se os padrões previamente estabelecidos estão sendo atendidos.

Removendo impedimentos que afetam o progresso do time

É comum surgirem impedimentos durante a construção do Sprint Backlog na Planning, mas o mais comum é sinalizarem impedimentos durante a Daily. Quando o time sinaliza um impedimento, o SM deve colher as informações necessárias com o time para entender o que está acontecendo e então entrar em contato com quem poderá resolver a situação.

Resolver um impedimento pode envolver reuniões para alinhamentos, abertura de chamados, envio de e-mails ou até mesmo solicitar o envolvimento do PO durante o dia.

A ideia é que qualquer evento ou falta de informação que impeça o andamento do time deve ser removido ou esclarecido através do SM. Isso não significa que o SM terá as respostas, mas sim que ele terá meios ou contatos para resolução. É o papel que faz a ponte entre o time e a solução.

Garantindo que todas as cerimônias são feitas de forma positiva, produtiva e dentro do timebox

Falando do ponto de vista prático, ser SM inclui agendar e facilitar todas as cerimônias previstas no framework. Isso inclui planejar as agendas para que ocorram com a presença de todo time, explicar qual é a dinâmica e o propósito das cerimônias e garantir que os artefatos que devem ser atualizados na cerimônia serão devidamente atualizados.

Como o Scrum Master apoia o Product Owner?

O Scrum Master serve ao Product Owner de diversas formas, incluindo:

  • Ajudando a encontrar técnicas para um gerenciamento efetivo do Objetivo do Produto e do Product Backlog;
  • Ajudando o Time Scrum a entender a necessidade de um Product Backlog com itens claros e concisos;
  • Ajudando a estabelecer um planejamento de produto empírico em um ambiente complexo;
  • Facilitando a colaboração com os stakeholders conforme necessário.

Ajudando a encontrar técnicas para um gerenciamento efetivo do Objetivo do Produto e do Product Backlog

Apesar de o PO ser o único responsável pelo conteúdo do Product Backlog, o SM deve apoiar na manutenção de um Backlog de valor. Esse apoio pode ser feito através de técnicas de organização, técnicas para definição e priorização de itens do Backlog e do uso de ferramentas para organizar os artefatos.

Ajudando o Time Scrum a entender a necessidade de um Product Backlog com itens claros e concisos

O time precisa entender que, sem itens claros e bem definidos, o trabalho do dia a dia não flui. Sendo assim, não é possível ter autonomia e nem evitar reuniões extras durante a Sprint. Também aumenta a chance de desalinhamento entre os integrantes do time, porque todos andarão em direções diferentes da esperada, que é o Objetivo do Produto.

O SM precisa instigar o time a tirar as dúvidas a respeito dos itens definidos e a manter a boa prática de expor as considerações sobre o produto com o PO. Um Product Backlog claro mostra que o time está alinhado e, por mais que seja de propriedade do PO, também é responsabilidade do time indicar os desvios ou pontos mal desenvolvidos.

Ajudando a estabelecer um planejamento de produto empírico em um ambiente complexo

O PO deve analisar constantemente o produto e o mercado para assim definir quais são os próximos itens a serem desenvolvidos. Neste contexto, o SM pode apoiar no uso de ferramentas para planejar estes itens que estão em constante mudança, seja na descrição ou na priorização.

Um modelo de trabalho e uma organização mínima é necessária para que o PO não se perca ao evoluir o produto, ainda mais quando se trabalha com muitas fontes de informação. O SM deve ajudar nessa organização e instigar o PO a manter o empirismo em mente.

Facilitando a colaboração com os stakeholders conforme necessário

Como o PO atende às necessidades dos stakeholders, é necessário apoio na colaboração entre todos. É necessário lembrar que apesar de direcionarem o produto, os stakeholders não decidem o Product Backlog. O PO deve traduzir as necessidades em itens do Product Backlog, contando com o apoio e acompanhamento dos stakeholders sem perder a independência na gestão do artefato. O SM pode e deve ser um ponto de apoio na comunicação e colaboração entre o PO e os stakeholders, para que o objetivo do produto se mantenha alinhado com as necessidades da organização.

Como o Scrum Master apoia a organização?

O Scrum Master serve à organização de diversas formas, incluindo:

  • Liderando, treinando e instruindo a organização na adoção do Scrum;
  • Planejando e aconselhando nas implementações do Scrum na organização;
  • Apoiando os colaboradores e os stakeholders a compreender e aceitar a abordagem empírica para trabalhos complexos;
  • Removendo barreiras entre stakeholders e os Times Scrum.

Liderando, treinando e instruindo a organização na adoção do Scrum

O SM pode participar de diversas atividades que envolvam a organização, com a intenção de ensinar e disseminar o framework. O Scrum não deve ser aplicado apenas com o time. É preciso considerar que todas as camadas da organização devem estar cientes do formato de trabalho, principalmente quem interage diretamente com o time. Além disso, o SM também pode apoiar na formação de outros SMs e POs.

Planejando e aconselhando nas implementações do Scrum na organização

Ao trabalhar com o Scrum em diversos times, a organização vira um local de troca e aprendizado constante. Além do relacionamento com todas as áreas que interagem com o time, o SM também pode ter momentos de troca interessantes com outros times. Assim, é possível disseminar boas práticas, além de ter uma rede de apoio para resolver problemas encontrados no dia a dia.

Também incluo nesse tópico o apoio para a formação de novos times Scrum dentro da organização.

Apoiando os colaboradores e os stakeholders a compreender e aceitar a abordagem empírica para trabalhos complexos

A abordagem empírica envolve tomar decisões baseadas no que é conhecido. Sendo assim, o trabalho é guiado pelos dados disponíveis, pelas experiências das Sprints passadas, pelas informações colhidas em pesquisa e assim por diante. O SM deve observar se o empirismo está sendo levado em consideração e apoiar no entendimento dessa abordagem.

Removendo barreiras entre stakeholders e os Times Scrum

O stakeholders precisam entender o formato de trabalho introduzido pelo Scrum. Esse alinhamento é necessário para que não haja interferências entre o que é esperado pelos stakeholders e o que é executado pelos times. A comunicação deve ser muito clara e transparente e o SM pode colaborar para que os stakeholders fiquem cada vez mais próximos dos times. Além disso, é necessário que os times tenham uma clara visão dos desejos dos stakeholders, que devem estar refletidos nos objetivos da Sprint e do produto de cada time.


Esse post foi escrito utilizando como base o Scrum Guide 2020, mas com a minha visão de como é o dia a dia de um Scrum Master na prática. Por ser um framework cada vez menos prescritivo, cada um dos itens fica aberto à interpretação e cada Scrum Master pode ter a sua visão de atuação.

Como sempre, os comentários ficam abertos para discussão.

Até a próxima!



ingridmachado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software.
Autora deste querido blog.

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