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Ressuscitando a minha impressora 3D

Foto de Opt Lasers, via Unsplash

A minha impressora estava sem ser usada há muito tempo. Ela passou por duas mudanças e ainda ficou um bom tempo parada durante a quarentena, até que eu decidi ver o estado dela durante o meu sabático. De forma resumida, posso dizer que ela estava destruída. Acumulou muito pó, algumas partes enferrujaram e também estava com alguns pontos de mofo na parte do MDF.

Eu comprei a impressora em 2017 e no momento o modelo dela (VOOLT3D GI3 1.75MM) não está mais disponível para venda no site do fabricante.

Ela possui as seguintes especificações:

  • Materiais para impressão: ABS e PLA;
  • Diâmetro de filamento: 1,75mm ±0,1mm;
  • Bico extrusor: 0,30mm de extrusão mínimo, feito em metal;
  • Temperatura de operação:
    • Bico extrusor: 50 – 300 °C
    • Mesa: temperatura ambiente – 105°C
  • Volume de impressão: 200mm x 200mm x 180mm (X x Y x Z).

Todos os filamentos que eu tenho são de PLA, o que influencia em algumas configurações de impressão.

Como recuperei a impressora 3D

Identificando os problemas

Além dos problemas que falei no início do post, a impressora também estava totalmente descalibrada. Fazendo uma lista de tudo que precisava ser ajustado, elenquei os seguintes itens:

  • Sujeira;
  • Falta de lubrificação;
  • Bico entupido;
  • Extrusão com falhas;
  • Sensor de filamento descalibrado;
  • Offset do Z descalibrado;
  • Slic3r sem a configuração correta;

Sujeira

A impressora estava destruída, mas nada que parecesse impossível de recuperar. Então, a primeira coisa que fiz foi limpar com um pano as partes de MDF e com uma toalha de papel os eixos de metal. Também limpei o vidro da mesa com álcool isopropílico.

Falta de lubrificação

Ela foi guardada lubrificada, mas o excesso de pó fez acumular muita sujeira. Então, após a limpeza, fiz o processo de lubrificar os eixos de metal com óleo Singer.

Bico entupido

Em alguns casos, basta esquentar o bico e forçar o filamento manualmente para conseguir desentupir. Como isso não estava funcionando, precisei desligar a ventoinha que controla a temperatura do bico e aguardar 5 minutos com o bico em uma temperatura mais elevada. Depois disso, bastou forçar o filamento manualmente novamente e foi desentupido.

Para evitar entupimentos no futuro, sempre aqueço o bico e seleciono a opção “Trocar filamento” para que a própria impressora retire o filamento. A última vez que entupi o bico da impressora, foi aquecendo o bico e retirando o filamento manualmente.

Extrusão com falhas

Durante a impressão, o filamento iniciava saindo corretamente e depois começava a falhar. Nesse ponto fiz duas correções: ajuste no mordente e lubrificação do filamento.

O mordente é a parte do cabeçote que puxa o filamento para alimentar a extrusão. Quando ele não está bem regulado, o filamento pode patinar ou até mesmo ser quebrado. Para ajustar, é necessário deixar o mordente preso o suficiente para puxar o filamento sem quebrar e sem ser possível puxar com os dedos enquanto ele está sendo extrusado.

Como comentei, uso sempre o PLA. Para imprimir com esse material, é necessário lubrificar o filamento com meia gota de óleo Singer. O óleo é colocado no filtro de filamento, que além de lubrificar também limpa o filamento antes de ele entrar na extrusora.

Sensor de filamento descalibrado

Depois de desentupir o bico da impressora e ajustar a extrusão, iniciei outra impressão de teste. Nessa etapa identifiquei alguns problemas e o primeiro que tentei resolver foi o sensor de filamento descalibrado.

Esse problema pode ser identificado quando, durante a impressão, a impressora solicita a troca de filamento em momentos que não deveria. A curvatura do filamento pode deixar alguns trechos um pouco mais afastado do sensor, então foi necessário aproximar o sensor um pouco mais da entrada de filamento, para aumentar a sensibilidade.

Offset do Z descalibrado

A primeira camada estava sendo impressa bem esmagada contra a mesa. Para corrigir esse problema, foi necessário ajustar o valor do offset do Z, que é a distância do bloco de impressão em relação à mesa.

Essa calibração é feita manualmente, com o uso de uma folha de papel sulfite. Precisa ter cuidado para não bater com o bico na mesa e deixar a primeira camada na altura correta.

Slic3r sem a configuração correta

Para garantir que a impressora está calibrada, sempre faço a impressão do polvinho, que é um modelo que vem de fábrica com a configuração correta. Depois que consegui imprimir o polvinho corretamente, fiz um teste com outra peça que não saiu calibrada.

A Voolt manda um arquivo de configuração do Slic3r, software que gera o gcode para impressão, mas eu não tinha mais esse arquivo. Seguindo o manual, já tinha feito a configuração na instalação. Porém, depois dessa impressão incorreta, vi que as configurações iniciais não tinham sido salvas. Criei um arquivo de configuração padrão e testei novamente.

É importante usar os valores que estão de acordo com as especificações da impressora, para não ter problemas em peças futuras.

Resultado final

A imagem mostra as etapas que eu passei para conseguir recalibrar a impressora:

Tipos de work items disponíveis no processo Agile

  1. Impressão com falhas na primeira camada, sem concluir por falha na extrusão;

  2. Impressão com falhas pelas constantes trocas de filamento durante o processo;

  3. Impressão completa sem falhas.


Mesmo não tendo mais esse modelo à venda, sempre recomendo a Voolt3D. Comprei a minha impressora em 2017 e em pleno 2021 tive apoio do suporte com vários materiais e atendimento via WhatsApp para conseguir recuperar a impressora. Nem todo atendimento é tão bom assim.

Espero que esse post te ajude caso esteja precisando recalibrar a sua impressora 3D, mas lembre de sempre consultar o manual e os materiais oficiais de suporte.

Até a próxima!



ingridmachado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software.
Autora deste querido blog.

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