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15 Jun 2026 | 8 minutos • Insights

Dando uma chance para a IA

Explorando as vantagens e um uso consciente

Ingrid Machado

Ingrid Machado

Engenheira de computação, especialista em engenharia de software. Autora deste querido blog.

Image de capa do post Dando uma chance para a IA
Foto de Rubaitul Azad, via Unsplash

Desde quando a Inteligência Artificial (IA) foi lançada, eu passei por diversas fases:

  1. Deslumbramento
  2. Curiosidade
  3. Crítica
  4. Teste

Eu vou compartilhar um pouco aqui sobre essas fases que eu vivi e estou vivendo como uma forma de registrar a minha opinião atual. Ela já mudou várias vezes e eu acho que nunca vou sair de uma área cinza que não vai totalmente contra nem totalmente a favor. Mas acho importante ser transparente e compartilhar sobre o meu uso, ainda mais que tenho um projeto que é apoiado financeiramente pelos participantes e é sempre bom dar satisfações nesses casos.

Deslumbramento

Eu lembro do momento em que me apresentaram o ChatGPT. Na época, era uma IA que estava viralizando e todo mundo estava usando. Como eu não entro muito no Instagram, eu fiquei com aquele sentimento de ser a última a saber, o que não deixava de ser verdade.

Eu fiz um primeiro teste e achei muito inovador ter uma ferramenta em que era possível usá-la em um formato de conversa. Parece algo muito simples agora, mas eu entendi naquele momento que a maneira que a gente se relaciona com a tecnologia tinha mudado.

Como engenheira de computação, eu conhecia redes neurais e já tinha ouvido falar sobre os estudos. Mas o meu entendimento era que ainda era uma área muito embrionária, que evoluía aos poucos. De repente, tudo o que eu li como teoria parecia estar materializado na prática, bem na minha frente.

Curiosidade

Eu criei uma conta e fiz algumas perguntas, sem acreditar que realmente funcionava. Para a minha surpresa, as perguntas que eu fiz foram respondidas de forma bem satisfatória. Tudo bem que perguntei sobre dúvidas bem simples e diretas, questionando sobre sugestões de livros e o que eu deveria estudar para ser uma gestora melhor. Mas as respostas faziam sentido.

Só que eu não consegui ver no momento como a IA poderia me ajudar de verdade. Eu estava no início da minha atuação como gestora oficialmente, aprendendo muito e escrevendo vários posts no blog sobre os meus estudos. Por isso, eu acabei achando tudo muito legal, mas não fui adiante com os testes e mantive a minha conta no ChatGPT sem uso.

Crítica

Depois dessa onda inicial da novidade, parece que surgiram IAs de todos os cantos. Uma ferramenta que era revolucionária e acessível somente por quem tinha um pouco mais de familiaridade com a internet se tornou quase que onipresente. Eu acho impressionante o quanto qualquer pessoa parece conhecer IA hoje em dia. Foi uma penetração de mercado realmente impressionante e uma mudança que claramente não vai passar.

Só que com o uso massivo, também vem o entendimento do que estamos consumindo de verdade. O primeiro ponto da minha fase de crítica foi o uso de materiais com copyright para treinar a IA. Não interessa a licença do material, a IA vai acabar consumindo ele. O que é bem curioso quando a gente pensa na perseguição das grandes empresas à pirataria. Não vou defender a pirataria aqui, mas não acho que o formato de treino das IAs é muito diferente dela.

Vários profissionais viram as suas profissões sendo diretamente afetadas pelo uso indiscriminado de IA. A IA alucina e nem todas as pessoas que a usam sabem disso. Na área de desenvolvimento de software, por exemplo, algumas empresas começaram a substituir os desenvolvedores e agora vemos o impacto que essa troca causa. Eu espero que todas as áreas estejam sentindo essa necessidade de ter o apoio dos profissionais no uso da IA.

O segundo ponto da minha fase crítica é o custo ambiental da IA. O consumo de recursos naturais, a construção de data centers e o fato do tema não parecer ser uma grande preocupação dos inovadores deixou uma impressão inicial muito ruim para mim.

Esses pontos negativos da IA me entristecem porque eu sei que o potencial é gigantesco. Já falei na newsletter sobre o quanto a IA pode ser um divisor de águas na medicina, por exemplo. Mas a minha maior crítica é ao uso indiscriminado, quando as pessoas usam a IA para pensar por elas e não para auxiliar.

Teste

Dito tudo isso, eu avancei para a fase de teste. Mas esse avanço demorou.

Inicialmente, eu fiquei muito convencida de que eu não ia usar. Depois, eu fiquei incomodada porque tudo passou a ter IA. Qualquer site que eu acesso, o meu notebook e o meu celular estão com IA. Uma simples busca no Google mostra resultado de IA, um atendimento em qualquer serviço tem uma IA falando comigo antes de um ser humano. Então, se tornou impossível não ser uma usuária da IA, porque o contato com ela vai ser feito, independentemente da minha vontade.

Muitas pessoas tentaram me convencer que a IA era o futuro e não tinha como fugir. Sendo bem sincera, só isso me dava mais vontade de não usar, porque não acho que só porque algo é bom para alguém vai ser bom para mim também.

Mesmo com a minha resistência, também estou tendo muito contato com a IA dentro do trabalho. Além de estar fazendo parte de um teste de DevEx que usa IA para melhorar a velocidade e a qualidade das entregas, também existe a expectativa de que as lideranças usem a IA para otimizar o trabalho. Com isso, fui obrigada a pensar em com usar a IA de forma mais consciente, sem deixar que o meu time se apoie apenas nela e pare de evoluir.

Quando divulgaram que o preço dos tokens estava subindo e estava cada vez mais complicado ter uma IA para uso constante, eu nem me preocupei em procurar alguma assinatura, já que não estava disposta a gastar muito para testar. Mas aí eu ganhei uma assinatura de 1 ano do Gemini Plus e achei que não custaria dar mais uma chance.

O que me fez aceitar usar a IA como um assistente foram 3 pontos principais:

Não é possível não ter impacto em recursos naturais quando estamos usando computadores. Então não vou ser hipócrita e dizer que, ao não usar a IA, não causo impacto nenhum. Mas se for para usar, o melhor é usar de alguma empresa que divulgue ações de mitigação. Dito isso, eu realmente espero que a legislação sobre o tema avance e todas as empresas precisem seguir regras que diminuam ou compensem o impacto ambiental.

Eu estou estudando muitos tópicos, que costumo compartilhar na newsletter. Ultimamente, estou aprendendo sobre modelagem e costura e esse é um tópico que está sendo um pouco mais difícil do que imaginei que seria, principalmente na interpretação de modelos. Já comprei vários cursos, livros e moldes para entender o que estou aprendendo, mas sigo com dificuldades. Quando fui testar o Gemini, decidi perguntar sobre uma dúvida que vinha me incomodando há dias sobre o tema. Com duas interações eu consegui entender e fiquei até um pouco chateada de não ter feito isso antes.

O exemplo positivo mais recente foi na tomada de decisões. Eu sou muito indecisa e gosto muito de levantar dados para fazer uma lista de prós e contras e então decidir o que fazer. Nesse final de semana, decidi passar a minha situação atual para a IA para que ela pudesse conferir os cálculos que fiz e entender qual caminho seguir. Até o meu marido concordou que com a comparação que o Gemini me apresentou não teria como seguir com dúvidas sobre o que fazer.

Esse é o resumo da fase atual em que me encontro: pensei no que tenho dificuldade e joguei para a IA me ajudar a destravar. Como o resultado foi positivo, pretendo seguir assim. Com a interpretação de modelos, por exemplo, eu pretendo seguir estudando como já faço, vendo os vídeos e lendo o material, e, caso eu tenha dúvidas, buscar nos livros ou no Reddit e só depois perguntar para a IA sobre a dúvida.

Não acho que usar a IA como única forma de destravar vai ser um formato que vou seguir em algum momento, porque tenho muito medo de que eu delegue o meu raciocínio para uma máquina. Mas pretendo ser um pouco mais flexível e entender no que ela pode ajudar.

Até o momento, não pretendo usar a IA nos meus estudos de Python. Porém, comecei a fazer aulas no Cambly e estou pensando em treinar a pronúncia com o Gemini Live.


Sobre os meus projetos, eu sigo escrevendo sem IA e pretendo seguir assim. Entendo que a escrita é uma forma de fixar o que eu aprendo e a IA não vai fazer isso por mim. Ou seja, cada post e cada edição da newsletter enviados e cada livro lido no Clube do Livro para Introvertidos são atividades feitas por uma pessoa e continuarão sendo.

O LanguageTool, ferramenta que uso para revisar os textos, está com IA embutida, mas eu aprovo cada sugestão individualmente para não ter tanta interferência na minha escrita. O Coda, que uso para publicação, também tem IA e não ativei nenhuma funcionalidade dela. Mas acho importante passar essas informações, porque mesmo não usando ativamente, a IA ainda está envolvida nessas ferramentas e pode ser que isso influencie de alguma forma.

Espero que tenha feito sentido tudo o que eu compartilhei e que eu consiga fazer um bom uso do Gemini. Deixando claro que esse não é um post patrocinado. É somente um relato de quem tentou resistir, mas agora está tentando entender se está perdendo algum benefício apenas por não querer seguir a corrente.

Até a próxima!

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